Energy Storage: O problema não é a tecnologia — é o mercado

A STARTSIMPLE – Consultores em Ambiente esteve presente no Portugal Energy Storage Forum 2026, organizado pela APREN, onde Tim Schittekatte trouxe uma das análises mais claras sobre o verdadeiro desafio do armazenamento de energia.

E a conclusão é contraintuitiva.

O problema não é falta de necessidade.
É falta de modelo de mercado.

O mito: mais renováveis = mais baterias

A lógica parece simples:
mais solar e eólico → mais volatilidade → mais baterias.

Mas os dados mostram o contrário.

Portugal tem níveis de volatilidade comparáveis — ou até superiores — a mercados como Califórnia ou Texas. Ainda assim, esses mercados têm muito mais baterias.

Porquê?

A resposta: receitas, não volatilidade

O que diferencia os mercados não é a volatilidade.
São os fluxos de receita.

Nos mercados mais desenvolvidos, as baterias ganham dinheiro em múltiplas frentes:

  • arbitragem (comprar barato, vender caro)
  • mercados de capacidade
  • serviços de sistema (frequência, reservas)
  • balancing e intraday

No Reino Unido e Alemanha, esta diversificação é o que sustenta o investimento.

Em Portugal, essa estrutura ainda está incompleta.

O erro crítico dos promotores

Muitos projetos continuam a assumir que a arbitragem será suficiente.

Não é.

A experiência internacional mostra que:

  • arbitragem representa apenas uma parte da receita
  • serviços de frequência rapidamente saturam
  • receitas variam fortemente ano a ano

Sem diversificação → não há bancabilidade.

 
O papel do Estado

Outra conclusão relevante: o apoio público não é o ponto de partida.

É o último recurso.

Primeiro, o sistema deve:

  • abrir mercados
  • permitir participação de baterias
  • criar mecanismos de remuneração

Só depois faz sentido falar de subsídios.

E mesmo aí, há diferenças:

  • CAPEX grants (ex: Bulgária) → aceleram deployment
  • contratos de longo prazo (ex: Itália, UK) → garantem estabilidade

 

O que está a acontecer em Portugal

Portugal está numa fase intermédia:

  • alta volatilidade
  • crescimento renovável acelerado
  • aumento de congestionamentos

Mas ainda com:

  • mercados incompletos
  • falta de sinais claros de receita

Resultado: potencial elevado, mas execução atrasada.

Conclusão 

O futuro do armazenamento não depende da tecnologia.

Depende de como o mercado é desenhado.

E quem perceber isto primeiro, ganha.

 

 

Fontes: PESF; APREN.

Imagem de destaque: Fotografia captada durante o pesf26.

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