Mapa Verde e Zonas de Aceleração (ZAER) O que muda no Licenciamento de Renováveis

Licenciamento · Renováveis · Portugal

Durante anos, o maior travão às energias renováveis em Portugal não foi a tecnologia nem o capital, foi a lentidão e a incerteza do licenciamento. As Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), representadas no chamado Mapa Verde, nascem para responder a esse problema, mudando a lógica de planeamento, licenciamento e implementação de projetos solares e eólicos no país.

Para promotores e investidores, compreender este instrumento é compreender onde o risco de licenciamento é menor e a previsibilidade é maior. Este guia explica o que são o Mapa Verde e as ZAER, o que muda em concreto no licenciamento, e o que fazer para tirar partido deste novo enquadramento.

O Mapa Verde em números

1302 zonasZonas de aceleração mapeadas em Portugal continental
792 / 510Zonas para solar e para eólica, respetivamente
~371 mil haÁrea identificada com potencial para solar fotovoltaico
RED IIIDiretiva europeia que originou o mecanismo

O que são o Mapa Verde e as ZAER

O Mapa Verde é a representação cartográfica das áreas do território consideradas aptas para acolher projetos renováveis, depois de excluídas as zonas ambientalmente condicionadas ou incompatíveis. Materializa-se no Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), elaborado por uma equipa técnica independente, e resulta da transposição da Diretiva europeia RED III e de uma medida do Plano de Recuperação e Resiliência.

As ZAER são as regiões geográficas identificadas nesse mapa como preferenciais. A sua seleção não é aleatória: cruza quatro critérios que reduzem o conflito ambiental e técnico de um projeto.

  • Potencial energético: zonas com bom recurso solar ou eólico, que maximizam a produção.
  • Baixa sensibilidade ambiental: áreas afastadas dos valores naturais mais delicados, protegendo a biodiversidade e os solos agrícolas de maior valor.
  • Ordenamento do território: compatibilidade com os usos do solo e com os instrumentos de gestão territorial.
  • Proximidade à rede elétrica: perto de pontos com capacidade de ligação, evitando longas linhas novas de alta tensão.

O que muda no licenciamento

A grande transformação está no momento em que a avaliação ambiental é feita. Em vez de cada projeto suportar sozinho uma avaliação pesada, o esforço é deslocado para o planeamento do Estado, feito uma só vez ao nível do território.

1 Avaliação ambiental a montante

O próprio programa que define as ZAER é sujeito a Avaliação Ambiental Estratégica. Os projetos localizados nessas zonas beneficiam, por isso, de procedimentos mais simples e céleres, com menor encargo administrativo, por partirem de um território já filtrado do ponto de vista ambiental.

2 Mais previsibilidade para o investimento

O promotor passa a ter um mapa claro de onde o investimento é, à partida, aceite e onde a ligação à rede é tecnicamente viável. Isto reduz o risco de um projeto ser rejeitado numa fase avançada por questões ambientais ou por falta de capacidade de rede, diminuindo a incerteza financeira e operacional.

3 Articulação com autarquias e comunidades

As câmaras municipais ganham voz no planeamento e a previsibilidade necessária para integrar estas zonas nos seus Planos Diretores Municipais. O modelo aponta para uma transição participada, em que as comunidades locais são parte do processo e os benefícios da transição chegam aos territórios que a acolhem.


Uma simplificação real, mas não automática

Convém ler este instrumento com rigor, sem o transformar numa solução mágica. Estar dentro de uma ZAER acelera o licenciamento, mas não elimina a análise do território.

Ponto de atenção: o Mapa Verde é, nesta fase, uma referência indicativa, e não a delimitação definitiva das ZAER. A sua confirmação depende da conclusão do processo de planeamento e da transposição para os instrumentos municipais de gestão territorial, pelo que a aplicação prática será gradual.

Esta natureza gradual explica-se pelo percurso do próprio instrumento. A proposta de programa foi submetida a consulta pública em 2026, uma etapa que permitiu a cidadãos, municípios, entidades ambientais e promotores apresentarem contributos sobre as zonas propostas. Concluída essa fase, os contributos passaram a análise, podendo o programa ser ajustado antes da aprovação final e da subsequente transposição para os Planos Diretores Municipais. É por estar ainda a percorrer estas etapas que o Mapa Verde deve, para já, ser lido como referência e não como delimitação fechada.

Mesmo dentro de uma zona de aceleração, um projeto continua sujeito às condicionantes locais, às servidões, à compatibilidade com o Plano Diretor Municipal e às regras específicas do terreno. A localização em ZAER melhora o ponto de partida; não substitui a avaliação criteriosa de cada local.


O que isto significa para quem promove projetos

As ZAER mudam a pergunta central do desenvolvimento de um projeto renovável. Já não é apenas onde há recurso e ponto de ligação, é também se o local está dentro de uma zona de aceleração, e o que isso implica para o prazo, o risco e o custo do licenciamento.

Traduzir o Mapa Verde numa decisão concreta exige cruzar a localização do projeto com as condicionantes ambientais e territoriais reais do terreno, e acompanhar a forma como as ZAER vão sendo transpostas para os Planos Diretores Municipais. É esse trabalho que separa uma candidatura previsível de uma aposta arriscada.

Vai desenvolver um projeto renovável?

A StartSimple é especialista em licenciamento e avaliação ambiental de projetos de energia. Analisamos a localização do seu projeto face às zonas de aceleração e às condicionantes ambientais e territoriais (Rede Natura 2000, REN, RAN, recursos hídricos, risco de incêndio), e conduzimos os processos de avaliação e licenciamento junto das entidades competentes. Ajudamos a transformar o Mapa Verde numa vantagem concreta para o seu projeto.

Falar com a nossa equipa

A forma como as zonas de aceleração forem implementadas vai decidir a que velocidade os projetos solares e eólicos saem do papel em Portugal. Para quem promove esses projetos, chegar cedo e bem preparado a este novo enquadramento é a diferença entre liderar e ficar para trás.

Fontes: LNEG, Mapa Verde das Energias Renováveis; Participa.pt, PSZAER; Diretiva (UE) 2023/2413 (RED III); APA, Avaliação de Impacte Ambiental.
Imagem de destaque: magnific.

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