Portugal Energy Storage Forum 2026: O verdadeiro desafio já não é produzir energia — é integrá-la

A STARTSIMPLE – Consultores em Ambiente esteve presente no Portugal Energy Storage Forum 2026, organizado pela APREN, e a sessão de abertura deixou uma mensagem clara: o setor energético entrou numa nova fase — mais estratégica, mais complexa e mais exigente.

Ao longo da intervenção de Pedro Amaral Jorge, tornou-se evidente que a transição energética deixou de ser apenas uma questão ambiental. Hoje, é um tema central de competitividade económica, soberania energética e estabilidade geopolítica.

O ponto de partida é claro: a eletrificação dos consumos está a acelerar — indústria, transportes e edifícios. Mas esta eletrificação só é sustentável se for suportada por eletricidade renovável. E é aqui que surge o verdadeiro desafio.

Não basta produzir mais energia. É necessário integrá-la.

O sistema elétrico está a transformar-se rapidamente. Passámos de um modelo previsível e centralizado para um sistema descentralizado, variável e dinâmico. Isto cria um novo problema estrutural: excesso de produção em determinados momentos e incapacidade de gerir essa variabilidade.

É neste contexto que o armazenamento de energia se torna central.

Mais do que uma tecnologia complementar, o armazenamento passa a ser um facilitador de investimento. Sem ele, não existe flexibilidade no sistema — e sem flexibilidade, os projetos deixam de ser bancáveis.

Este é, na nossa leitura, o ponto mais crítico.

Hoje, o maior desafio já não é tecnológico. As soluções existem. O problema está na capacidade do mercado e da regulação capturarem o valor do armazenamento.

Se não houver mecanismos de remuneração adequados, o investimento não acontece.

Outro ponto crítico é a rede elétrica. Existe um desfasamento claro entre a capacidade de produção renovável e a capacidade da rede para a integrar. Este poderá ser o principal travão à transição energética nos próximos anos.

Adicionalmente, surgem desafios cada vez mais relevantes: aceitação social, previsibilidade regulatória e pressão sobre a rentabilidade dos projetos.

Apesar disso, as oportunidades são claras.

Projetos híbridos, integração com armazenamento e soluções para consumo industrial representam o futuro do setor. A indústria, em particular, poderá assumir um papel ativo, contribuindo com flexibilidade e armazenamento.

A conclusão é inevitável: estamos perante uma mudança estrutural.

A eletricidade está a assumir o papel que o petróleo e o gás tiveram durante décadas. E a velocidade com que conseguirmos adaptar o sistema a esta nova realidade vai determinar a competitividade da Europa.

Fontes: PESF; APREN.

Imagem de destaque: Fotografia captada durante o pesf26.

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