Projetos de biometano precisam de Estudo de Impacte Ambiental?

Um dos pontos mais sensíveis no licenciamento de unidades de biometano é a decisão sobre a necessidade de Estudo de Impacte Ambiental (EIA). Muitos promotores subestimam este requisito e só descobrem a obrigatoriedade da avaliação quando o processo já está em curso, causando atrasos e custos adicionais. O regime jurídico da AIA foi consolidado no Decreto‑Lei 151‑B/2013, que transpõe a Diretiva 2011/92/UE e define os projetos sujeitos a avaliação. Em 2023, o Decreto‑Lei 11/2023 reformou o licenciamento ambiental, clarificando isenções e simplificando procedimentos. Este artigo explica os critérios que determinam se um projeto de biometano necessita de AIA, apresenta exemplos práticos, identifica erros comuns e propõe boas práticas para evitar surpresas.

Critérios legais para a AIA

Enquadramento do RJAIA

O Regime Jurídico de Avaliação de Impacte Ambiental (RJAIA) estabelece que determinados projetos, listados no Anexo I, estão automaticamente sujeitos a AIA. O Anexo II inclui projetos que requerem avaliação caso a caso, dependendo de fatores como dimensão, localização e características específicas. A produção de biometano por digestão anaeróbia pode enquadrar‑se no Anexo II quando a capacidade de tratamento ultrapassa determinados limiares ou quando se localiza em áreas sensíveis.

O DL 11/2023 reduziu a necessidade de análises caso a caso e estabeleceu critérios claros para dispensa: projetos inseridos em parques industriais com área total inferior a 1 ha, a mais de 500 m de zonas residenciais, podem dispensar a AIA. Todavia, projetos em áreas Natura 2000, reservas ecológicas ou envolvendo resíduos perigosos continuam a exigir avaliação prévia.

 

Fatores desencadeadores
  1. Dimensão da instalação: unidades que tratam grandes volumes de resíduos ou possuem digestores de elevada capacidade podem ultrapassar os limiares do Anexo II.

  2. Localização em áreas sensíveis: projetos situados em REN, RAN ou zonas Natura 2000 são mais suscetíveis de exigir AIA.

  3. Emissões e efeitos cumulativos: emissões atmosféricas (metano, compostos de azoto), odores, tráfego adicional e descarga de águas residuais podem desencadear a avaliação.

  4. Tipo de resíduo: digestão de resíduos perigosos ou co‑digestão com lamas industriais exige avaliação mais rigorosa.

 

Exemplos de cenários
  • Unidades de pequena escala em parques industriais. Um promotor pretende instalar uma unidade de digestão anaeróbia para tratar 15 000 t/ano de resíduos agroindustriais num parque industrial, ocupando uma área de 0,8 ha. Se a instalação se situar a mais de 500 m de habitações, poderá beneficiar das isenções previstas no DL 11/2023, sendo apenas necessário o licenciamento ambiental regular.

  • Conversão de biogás para biometano. Uma central de biogás existente pretende converter a produção para biometano e injetar na rede. Apesar de ocupar a mesma área, a introdução da unidade de upgrading e o aumento do tráfego podem significar um acréscimo de emissões e de impactos cumulativos, levando a APA a exigir AIA.

  • Unidades em áreas sensíveis. Um projeto localizado em zona agrícola, mas parcialmente inserido em Reserva Ecológica Nacional, será provavelmente sujeito a AIA devido à sensibilidade do local. Nestes casos, a escolha do sítio e a demonstração de alternativas são determinantes.

 

Erros comuns dos promotores
  1. Pedir dispensa de AIA sem estudo prévio: a falta de uma análise ambiental detalhada pode levar a um indeferimento, obrigando a reiniciar o processo.

  2. Desconsiderar efeitos cumulativos: vários pequenos projetos numa mesma área podem ter impactos significativos quando somados.

  3. Ignorar o parecer das CCDR: as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional têm um papel relevante na decisão; ignorar as suas recomendações atrasa a aprovação.

  4. Falta de participação pública: não antecipar a consulta pública e a necessidade de envolver as comunidades locais pode gerar oposição e atrasos.

 

Boas práticas para decisão sobre AIA
  1. Realizar um screening ambiental: avaliar logo no início se o projeto se enquadra no Anexo I ou II do RJAIA e se está em área sensível.

  2. Consultar a APA e a CCDR: submeter um pedido de parecer prévio sobre a necessidade de AIA pode clarificar dúvidas e ajustar o projeto antes da instrução formal.

  3. Dimensionar a unidade de forma faseada: começar com uma capacidade que não ultrapasse os limiares mais críticos e planear expansões futuras com base no desempenho inicial.

  4. Projetar medidas de mitigação: incluir sistemas de tratamento de biogás, controlo de odores, planos de gestão de digestato e rotas de transporte que minimizem impactos.

  5. Prever prazos realistas: a AIA acrescenta meses ao processo de licenciamento; integrar este prazo no plano financeiro evita pressões.

Conclusão 

Decidir se um projeto de biometano precisa de Estudo de Impacte Ambiental é crucial para evitar surpresas. O RJAIA e o DL 11/2023 oferecem critérios claros, mas exigem uma análise prévia rigorosa. A antecipação de cenários e a consulta às entidades competentes permitem economizar tempo e recursos. A StartSimple apoia promotores na avaliação inicial, na preparação de estudos ambientais e na comunicação com a APA e as CCDR, garantindo decisões bem fundamentadas.

 

Como estruturar corretamente o seu projeto desde o início
  1. Analise se o seu projeto se enquadra no Anexo I ou II do RJAIA: use os critérios de capacidade, localização e tipo de resíduos.

  2. Consulte a APA antes de pedir dispensa de AIA: o parecer prévio evita indeferimentos.

  3. Integre medidas de mitigação desde a conceção: sistemas de controlo de emissões, gestão de digestato e planos de comunicação com a comunidade.

  4. Ajuste o calendário de licenciamento: considere o tempo necessário para a AIA e a consulta pública.

Para apoio especializado na decisão sobre AIA, fale com a StartSimple. A nossa equipa avalia o seu projeto, identifica requisitos legais e acelera o processo de licenciamento.

 

FAQs:

  1. Como saber se um projeto de biometano necessita de AIA?
    Consultando o Anexo I e II do RJAIA e avaliando a localização e a capacidade da unidade. O DL 11/2023 introduz critérios de dispensa para projetos em parques industriais.

  2. É possível obter dispensa de AIA para biometano?
    Sim. Em alguns casos, como unidades de pequena dimensão instaladas em parques industriais com condições específicas, a APA pode dispensar a AIA. Contudo, a dispensa deve ser confirmada por parecer prévio.

  3. Quais os riscos de ignorar a AIA?
    Indeferimento do licenciamento, exigência de medidas adicionais, atrasos e aumento de custos. A avaliação prévia evita estes riscos.

 

 

 

Fontes: startsimple; DR; APA; CCDR.

Imagem de destaque: freepik.

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